Pular para o conteúdo
Raiz Urbana

Plantas que vivem na água: 10 opções sem terra

Plantas que vivem na água: 10 espécies que crescem num vidro sem terra, como trocar a água, quando adubar e como evitar o mosquito da dengue em casa.

Por Equipe Raiz Urbana 29 de outubro de 2026 8 min de leitura

Existem plantas que vivem na água por meses, e algumas por anos, sem nenhum grão de terra: jiboia, filodendro-brasil, bambu-da-sorte, clorofito, hera, singônio, lambari, begônia, coleus e espada-de-são-jorge estão entre as mais fáceis. Você corta um galho, coloca num vidro com água, deixa num lugar claro sem sol forte e troca a água toda semana. É isso.

O cuidado que ninguém pode pular é justamente a troca de água. Vidro com água parada dentro de casa é criadouro perfeito para o mosquito da dengue, e no verão brasileiro isso não é exagero. Mais abaixo eu explico como fazer essa limpeza do jeito que as autoridades de saúde orientam.

Antes da lista, uma correção honesta ao infográfico que circula por aí: jiboia e pothos são a mesma planta (Epipremnum aureum). "Pothos" é só o nome usado em inglês e em parte do comércio. Por isso troquei um dos itens repetidos por outra espécie que vai muito bem no vidro.

Como funcionam as plantas que vivem na água

A planta não precisa de terra em si. Ela precisa de água, oxigênio na raiz, luz e nutrientes. A terra costuma entregar os nutrientes e segurar a planta em pé. No vidro, as raízes que se formam na água são um pouco diferentes das raízes de terra: mais finas, adaptadas a pegar oxigênio dissolvido. É por isso que uma estaca enraizada na água às vezes sofre quando vai para o vaso, e por isso a troca frequente de água também ajuda, já que água nova tem mais oxigênio.

O que isso significa na prática: escolha plantas que enraízam fácil, use pedaços com pelo menos um nó submerso e não deixe folha nenhuma dentro da água, porque folha submersa apodrece e turva tudo.

As 10 plantas que vivem na água

Fáceis, para começar

1. Jiboia (ou pothos). A rainha do vidro. Enraíza em poucas semanas, cresce rápido e aguenta luz mais fraca. Corte um pedaço com dois ou três nós e mergulhe só a parte de baixo.

2. Filodendro-brasil. É o Philodendron hederaceum, primo da jiboia, com folhas em forma de coração e listra verde-limão. Comporta-se quase igual na água e fica lindo pendurado em prateleira.

3. Bambu-da-sorte. Não é bambu: é uma dracena (Dracaena sanderiana). Vive bem em vaso com pedrinhas e água cobrindo só a base. Pede luz indireta e água trocada com regularidade, porque as pontas das folhas ficam marrons com água velha.

4. Clorofito (gravatinha). Aquela planta listrada que solta "filhotes" pendurados. Os filhotes enraízam rápido num copinho com água. Ponta de folha marrom é comum nele e geralmente tem a ver com a qualidade da água ou com ar seco.

5. Hera. Pendente e elegante, enraíza bem em água a partir de pontas de ramo. Prefere temperaturas amenas, então em cidades muito quentes ela cresce mais devagar.

Intermediárias, pedem um pouco mais de atenção

6. Singônio. Folhas em forma de seta que mudam de cor conforme a luz. Enraíza fácil e aceita meia-sombra.

7. Lambari (tradescantia). Roxo e prateado, cresce muito rápido na água. A desvantagem é que fica "esticado" e ralo se a luz for fraca. Pede um lugar bem claro.

8. Begônia. Algumas begônias de caule, como as de folha pintada, enraízam bem em água. As raízes são delicadas, então passe para a terra com cuidado se quiser plantar depois.

9. Coleus. Folhagem colorida que enraíza em poucos dias. A impatiens (beijo-pintado) também enraíza rápido na água e fica bonita em vidro transparente, mas as duas duram mais quando vão para a terra.

10. Espada-de-são-jorge. Mudas pequenas e pedaços de folha enraízam na água, mas devagar, às vezes em meses. A base apodrece com mais facilidade, então troque a água com disciplina. Eu uso o vidro só para enraizar e depois planto em substrato bem drenante.

E a avenca?

Ela aparece em muitas listas, mas eu não recomendo. A avenca precisa de umidade no ar e substrato sempre levemente úmido, não de raiz mergulhada. No vidro ela costuma definhar. Melhor num vaso com terra, num banheiro claro.

Passo a passo para montar seu vidro

  1. Corte um galho de 10 a 15 cm logo abaixo de um nó (o "carocinho" de onde saem folha e raiz aérea), com tesoura limpa.
  2. Tire as folhas que ficariam dentro da água.
  3. Coloque num frasco com água, deixando um ou dois nós submersos e as folhas de fora.
  4. Deixe em luz clara e indireta. Sol direto no vidro esquenta a água e faz crescer alga.
  5. Troque a água toda semana, lavando o frasco, como explico abaixo.

Se você quer entender melhor onde cortar e por que o nó é tão importante, o guia de como fazer muda por estaca detalha cada passo, na água e na terra.

Troca de água e dengue: o cuidado que não pode falhar

O Aedes aegypti põe ovos na parede do recipiente, logo acima da linha da água. Segundo o Ministério da Saúde, esses ovos aguentam a seca por meses e grudam na parede, por isso não basta trocar a água: é preciso esfregar o recipiente com o lado áspero da esponja. As orientações de secretarias de saúde para vasos de plantas aquáticas vão na mesma linha: lavar com escova, água e sabão e trocar a água pelo menos uma vez por semana.

Minha rotina, que leva cinco minutos:

  • Uma vez por semana, tiro a planta, jogo a água fora, esfrego o vidro por dentro com esponja e enxáguo bem para não sobrar sabão.
  • Enxáguo as raízes rapidamente em água corrente, sem esfregar.
  • Encho de novo e devolvo a planta.

Se em algum momento você notar "larvinhas" se mexendo na água, descarte essa água em local seco (chão, terra, cimento), lave o recipiente e reforce a rotina. Não jogue na pia achando que resolveu, porque a orientação é justamente deixar a larva secar.

Duas outras dicas que evitam foco: não guarde água de chuva em balde aberto para regar, e se usar água da torneira "descansada" para tirar o cloro, deixe descansar num recipiente tampado.

Que água usar

Água da torneira funciona para a maioria dessas plantas. Algumas, como o clorofito e o bambu-da-sorte, podem mostrar pontas marrons com água muito tratada. Se isso acontecer, teste água filtrada.

Evite água de aquário de peixe doente, água com sabão e água mineral com gás (parece óbvio, mas já vi).

Adubo para planta na água

Por algumas semanas, a estaca vive das reservas que trouxe. Depois, se a ideia é manter a planta no vidro por meses, ela vai precisar de nutrientes, ou começa a soltar folhas pálidas e menores.

Use fertilizante líquido próprio para hidroponia ou um adubo líquido mineral bem diluído: comece com uma fração da dose do rótulo (muita gente usa um quarto) e aplique uma vez por mês, na água nova. Adubo demais queima a raiz e deixa a água verde de alga.

Adubos caseiros como borra de café ou casca de banana não servem para vidro. Eles fermentam, cheiram mal e atraem mosquinhas. Se tiver curiosidade sobre o que funciona na terra, tem um texto inteiro sobre adubo caseiro com o que é mito e o que é verdade.

Problemas comuns e como resolver

Água verde ou turva. Alga, causada por luz demais no vidro ou adubo em excesso. Troque a água, lave bem, afaste um pouco da janela ou use vidro colorido ou fosco.

Raiz marrom e mole, com cheiro ruim. Apodrecimento. Corte a parte podre com tesoura limpa, lave o frasco e troque a água com mais frequência. Se o caule também amoleceu, faça uma estaca nova da parte saudável.

Folhas amarelando aos poucos. Pode ser falta de nutrientes (se a planta já está há meses no vidro) ou de luz. Comece adubando de leve e, se não mudar, aproxime de uma janela clara.

Não enraíza nunca. Confira se há um nó submerso. Sem nó, a maioria dessas plantas não forma raiz.

E quem tem gato ou cachorro?

Aqui vai a parte chata: a maioria das plantas desta lista aparece como tóxica para cães e gatos na lista da ASPCA, a sociedade americana de proteção animal que mantém uma das bases de referência mais usadas sobre o assunto. Jiboia, filodendro, singônio, hera, espada-de-são-jorge, begônia, coleus e as dracenas (o bambu-da-sorte é uma) estão lá como tóxicas, assim como uma tradescantia parente do lambari (Tradescantia fluminensis). O clorofito, ao contrário, aparece como não tóxico.

Vidro com água também é tentador para gato beber. Se você tem pet curioso, prefira o clorofito ou deixe os vidros em lugar realmente inacessível. A lista completa, com as seguras e as perigosas, está em plantas tóxicas para pets. Se o seu animal mastigou alguma planta, procure o veterinário.

Perguntas frequentes

Quanto tempo uma planta pode viver só na água?

Jiboia, filodendro e bambu-da-sorte podem viver muitos meses, até anos, no vidro, desde que a água seja trocada toda semana e haja um pouco de adubo líquido de vez em quando. Outras, como coleus e espada-de-são-jorge, ficam melhores se forem para a terra depois de enraizar.

De quanto em quanto tempo trocar a água das plantas?

Pelo menos uma vez por semana, esfregando a parede do vidro com esponja. Isso mantém a água oxigenada e remove ovos do mosquito da dengue que ficam grudados no recipiente.

Planta na água precisa de sol?

Precisa de luz clara, mas sem sol direto batendo no vidro. O sol esquenta a água e favorece alga. Perto de uma janela com luz indireta é o ideal.

Posso passar a planta da água para a terra?

Pode. Plante quando as raízes tiverem alguns centímetros, use substrato leve e mantenha a terra um pouco mais úmida nas primeiras semanas, para a raiz se adaptar.

Bambu-da-sorte é tóxico para gato?

O bambu-da-sorte é uma dracena, e a ASPCA lista as dracenas como tóxicas para cães e gatos. Mantenha fora do alcance e procure o veterinário se houver ingestão.

Conteúdo informativo sobre cultivo doméstico. Chás e ervas não substituem tratamento médico. Em caso de suspeita de intoxicação de pets, procure um médico-veterinário imediatamente.

Continue lendo

Guias relacionados